Ataque à TI Xipaya reforça a urgência do combate ao garimpo ilegal na Amazônia, afirma deputada Vivi Reis.

É urgente que o Estado brasileiro seja firme e contundente no combate aos crimes ambientais e ao Estado paralelo que garimpeiros tentam impor no interior da Amazônia

15 abr 2022, 18:59 Tempo de leitura: 3 minutos, 15 segundos
Ataque à TI Xipaya reforça a urgência do combate ao garimpo ilegal na Amazônia, afirma deputada Vivi Reis.

A invasão da aldeia Karimaa, na Terra Indígena Xipaya, por garimpeiros armados na noite da última quinta-feira, 14, não é um fato isolado, segundo a deputada federal Vivi Reis (PSOL/PA). Na avaliação da parlamentar, o território Xipaya, onde vivem cerca de 200 indígenas a 400 quilômetros da cidade de Altamira, no sudeste do Pará, é mais um a engrossar as estatísticas de violências cometidas contra povos originários na Amazônia.

“A denúncia feita por Juma Xipaia sobre a invasão da Terra Indígena Xipaya, é grave. É urgente que o Estado brasileiro seja firme e contundente no combate aos crimes ambientais e ao Estado paralelo que garimpeiros tentam impor no interior da Amazônia”, afirma Vivi Reis.

Tão logo tomou conhecimento do ataque, ainda na noite de quinta-feira, a deputada entrou em contato com o superintendente da Polícia Federal no Pará, Fábio Andrade, solicitando providências urgentes. Ele informou que iria acionar a operação Guardiões do Bioma, composta pela PF, Ministério da Justiça, PRF, Ibama e Força Nacional, para acompanhar a situação. Vivi Reis também solicitou providências ao coordenador da área ambiental da Polícia Federal em Brasília, Helano Medeiros. 

Depois do alerta lançado nas redes e de terem agredido o pai da cacica Juma, que estava filmando e fotografando os equipamentos usados na extração ilegal de ouro, os garimpeiros sairam com a balsa em direção à região de Riozinho do Anfrísio. Agentes do Ibama, ICMBio e Força Nacional estão agora à procura dos garimpeiros. “Seguimos monitorando o caso, pressionando autoridades e articulando para que o Estado brasileiro respeite e garanta os direitos dos Xipaya, assim como de todos os demais povos indígenas da Amazônia”, afirma a deputada lembrando que um novo ataque segue à espreita dentro do Congresso Nacional: trata-se do Projeto de Lei 490, conhecido como PL490, que legaliza o garimpo, extração de madeira, agricultura industrial e outros projetos considerados “de interesse nacional” em terras indígenas, sem sequer o consentimento das comunidades. 

O projeto de lei foi aprovado no dia 23 de junho pela Comissão de Constituição e Justiça e agora segue para a Câmara dos Deputados, antes de passar para o Senado. “Permaneceremos em vigilância constante para não permitir que esta proposta passe em plenário”, diz a deputada Vivi Reis.  

Violência em Terras Indígenas na Amazônia cresce junto com o garimpo

Desde o início do governo Bolsonaro, as invasões de garimpeiros ilegais a comunidades indígenas vem aumentando tanto em quantidade quanto na violência desmedida dos invasores. Uma violência que cresce acompanhando o avanço das medidas adotadas pelo presidente, com apoio de boa parte do Congresso, destinadas a diminuir a proteção dos territórios e atacar direitos dos povos indígenas.

A partir de maio do ano passado a violência recrudesceu e os donos de garimpos iniciaram uma série de ataques diretos contra os territórios indígenas Yanomami e Munduruku, localizados respectivamente nos estados de Roraima e Pará. Na Terra Indígena Munduruku, ainda em maio de 2021, garimpeiros atearam fogo nas casas de diversos líderes indígenas e depredaram a sede da Associação de Mulheres Indígenas Munduruku – Wakomborum, na cidade de Jacareacanga (PA).

Mais recentemente foram registrados oito ataques à Terra Indígena Ianomâmi. Em um deles, os garimpeiros, posicionados em lanchas no meio do rio Uraricoera e portando armas automáticas, abriram fogo contra a comunidade indigena à margem do rio. Junto com a violência, os garimpeiros também levam a destruição ambiental. Levantamento realizado pela Hutukara Associação Yanomami, com apoio do Instituto Socioambiental (ISA), e divulgado há poucos dias aponta que o garimpo em terra Yanomami cresceu 46% em 2021, o que correspondeu a 3.272 hectares de destruição.