Estado brasileiro tem que ser responsabilizado pela morte de Bruno e Dom, afirma Vivi Reis

Vivi, que é relatora da Comissão da Câmara, esteve com deputados e senadores na última semana no Vale do Javari, durante diligência em Atalaia do Norte e Tabatinga.

4 jul 2022, 18:23 Tempo de leitura: 2 minutos, 58 segundos
Estado brasileiro tem que ser responsabilizado pela morte de Bruno e Dom, afirma Vivi Reis

Há um mês dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, a deputada federal Vivi Reis (PSOL/PA), relatora da Comissão Externa da Câmara que acompanha o caso, defende que o Estado brasileiro seja responsabilizado pelos crimes. Vivi esteve com deputados e senadores na última semana no Vale do Javari, durante diligência das Comissões da Câmara e do Senado em Atalaia do Norte e Tabatinga, no Amazonas.

Em conjunto com os demais parlamentares, Vivi Reis conversou com indígenas, indigenistas, servidores da Funai e autoridades locais e nacionais, coletando informações para a produção do relatório final que deve apresentar nos próximos meses. “Não resta dúvidas que a morte de Bruno e Dom foram tragédias anunciadas. Por diversas vezes, as instituições foram comunicadas oficialmente sobre as ameaças à Bruno Pereira, mas nada foi feito. O Estado brasileiro precisa ser responsabilizado”, garante Vivi Reis.

De acordo com a deputada Vivi Reis, é preocupante a quantidade de pessoas que estão ameaçadas de morte no Vale do Javari. “Ouvimos relatos fortes de pessoas que estão marcadas para morrer, entre indigenistas, servidores da Funai e defensores da floresta. Não podemos naturalizar isso e devemos aprovar alguns encaminhamentos imediatos, que busque assegurar a integridade física e a vida destas pessoas”, afirmou a parlamentar.

Para Vivi Reis, a ausência do Estado brasileiro é a licença para que organizações criminosas atuem na região, com ligações com o tráfico de drogas, invasões do território indígena, pesca irregular, garimpagem ilegal e até financiamento de campanha eleitoral. “Uma das hipóteses mais fortes é que essas redes criminosas estão diretamente ligadas à morte de Bruno e Dom. Ouvimos, inclusive, o nome de possíveis mandantes, que cabe as autoridades policiais investigarem, mas vamos acompanhar criteriosamente para que seja feito justiça pelas mortes e os mandantes sejam devidamente identificados”, explicou Vivi Reis.

Durante a diligência, Vivi Reis questionou o delegado da Polícia Federal Sávio Pinzon sobre a pressa da instituição em afirmar que não haveria mandante no crime, versão que foi modificada posteriormente. Sávio Pinzon disse que houve um erro na divulgação da nota, mas que as investigações continuam.

A diligência ao Vale do Javari ocorreu nos dias 30 de junho e 1º de julho. No primeiro dia de atividades, os deputados federal em conjunto com senadores reuniram com indígenas na sede da Univaja, em Atalaia do Norte, e com servidores da Funais e autoridades federais no quartel do Exército em Tabatinga. No dia seguinte, apenas a relatora Vivi Reis e o presidente da Comissão Externa da Câmara, deputado Zé Ricardo (PT/AM), permaneceram na região promovendo novas oitivas. “No segundo dia, pudemos nos aprofundar nas conversas, conhecer os detalhes e receber novas denúncias de indígenas e servidores da Funai, além de reunir com o prefeito e vereadores de Atalaia do Norte, que nos apresentaram propostas para o desenvolvimento sustentável do município”, contou Vivi.

A deputada conta que deve apresentar um relatório da diligência na próxima quarta-feira, 6, quando a Comissão Externa da Câmara reunirá. “Vamos apresentar o que observamos na viagem e também apontar alguns encaminhamentos imediatos, como a defesa urgente do afastamento cautelar do presidente da Funai, Marcelo Xavier, que tem atuado contra os direitos dos povos indígenas e dos trabalhadores da própria instituição”, defende Vivi Reis.