Nota sobre a notícia-crime do Ministério da Defesa contra Ciro Gomes

Se não há conivência, quem mandou matar Bruno Pereira e Dom Phillips?

24 jun 2022, 10:36 Tempo de leitura: 2 minutos, 21 segundos
Nota sobre a notícia-crime do Ministério da Defesa contra Ciro Gomes

O Ministério da Defesa apresentou ontem notícia-crime contra o senhor Ciro Gomes por ele ter acusado as Forças Armadas de serem coniventes com o crime organizado na Amazônia.

A medida intimidatória, estranha ao ambiente democrático, supreende também pela celeridade com que foi tomada. A mesma celeridade que não foi vista nas buscas por Bruno Pereira e Dom Phillips. Apenas depois de 48 horas e repercussão internacional, as Forças Armadas enviaram helicóptero ao local para ajudar as equipes.

As mesmas Forças Armadas que informaram publicamente que estariam a postos para ajudar nas buscas, mas dependiam de ordens superiores. Que ordens? De quem?

Se não foram coniventes, como afirmam que não, no mínimo, foram lenientes. Por isso, questionei o ministro Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal acerca dessa leniência. Mas não obtive respostas. Ou melhor, a resposta foi a grosseria e o autoritarismo da horda bolsonarista.

Em vez de processar quem o critica, o Ministério da Defesa deveria responder os questionamentos referentes às práticas criminosas que seguem livremente na Amazônia. Se não há conivência como alegam, por que nossas fronteiras seguem sem fiscalização e sem o devido combate ao tráfico? Se não há conivência, por que garimpeiros ilegais continuam agindo na região? Se não há conivência, por que territórios indígenas que deveriam ser constitucionalmente protegidos por órgãos federais estão sendo invadidos? Se não há conivência, por que defensores da floresta continuam sendo ameaçados e morrendo na região? Se não há conivência, quem mandou matar Bruno e Dom?

Embora o ministro evite responder, a versão apresentada indicaria que o problema não é a conivência. Seria então a falta de estrutura para que as Forças Armadas atuem na região? O Ministério estaria, então, gastando muito mais com Viagra, próteses penianas e picanha do que com a fiscalização das fronteiras?

Seguimos sem respostas. Assim como ainda seguimos sem respostas convincentes sobre as circunstâncias do assassinato de Bruno e Dom e sobre quem os mandou matar.

A única certeza que tenho é que organizações criminosas têm atuado livremente na Amazônia e seguimos denunciando, apesar da leniência do governo federal e do conjunto de seus Ministérios, inclusive o da Defesa, em proteger nossos povos.

Ciro, conte com minha solidariedade, apesar das diferenças políticas que nos separam. Mas, como amazônida e deputada federal, não poderia me calar diante dos arroubos autoritários que tentam nos silenciar. Em defesa da Amazônia e da democracia, resisto, porque nossos povos resistem e continuarão resistindo!