Seminário mostra a relação direta entre o debate das Mudanças Climáticas e a garantia de direitos humanos na Amazônia

Realizado no auditório João Batista, da Assembleia Legislativa do Pará, o seminário reuniu representantes de instituições públicas, movimentos e ONGs ligados à defesa dos direitos humanos e do meio ambiente.

10 dez 2021, 15:48 Tempo de leitura: 2 minutos, 26 segundos
Seminário mostra a relação direta entre o debate das Mudanças Climáticas e a garantia de direitos humanos na Amazônia

No Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, o mandato da deputada federal Vivi Reis (PSOL-PA) promoveu, em Belém, o seminário Mudanças Climáticas, Direitos Humanos e Amazônia, uma realização conjunta da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e da Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Pará, presidida pelo deputado estadual Carlos Bordalo (PT). 

A data não poderia ser mais significativa, como lembrou Vivi Reis. “Hoje não podemos debater direitos humanos sem falar em Amazônia, sem falar em meio ambiente e sem falar em território. É preciso colocar com centralidade o debate dos povos indígenas, dos ribeirinhos, dos agricultores, dos quilombolas, dos defensores e defensoras de direitos humanos e do povo das periferias dos grandes centros da região”, afirmou na abertura do seminário.

Realizado no auditório João Batista, da Assembleia Legislativa do Pará, o seminário reuniu representantes de instituições públicas, movimentos e organizações não governamentais ligados à  defesa dos Direitos Humanos e do meio ambiente, como a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH), Unipop, Greenpeace, Ministério Público Estadual, OAB-PA, Movimento Sem Terra, Movimento dos Atingidos por Barragens, entre outros. 

O seminário foi aberto com uma apresentação do pesquisador Guilherme Carvalho. Ele falou sobre os erros do processo de desenvolvimento da Amazônia e mostrou que a degradação do ambiente é parte do projeto que resulta no enriquecimento do norte global.  “Nos anos 90, um relatório que vazou do Banco Mundial dizia que era preciso levar a produção industrial suja dos países mais ricos para o terceiro mundo”, contou acrescentando que a estratégia era levar os riscos para países onde os problemas sociais e econômicos já fossem grandes o suficientes ao ponto de diluir os impactos da atividades poluidoras. “Hoje quando eu olho para Barcarena, eu vejo essa proposta em execução”, afirmou. 

Em referência ao crime ambiental cometido pela mineradora francesa Imerys, onde um armazém de produtos químicos pegou fogo na noite da última segunda-feira (6), liberando uma fumaça tóxica que foi inalada pela população, Carvalho contou que “só a Imerys esteve envolvida em nove crimes ambientais, mas nenhuma atitude é tomada como a suspensão de atividades, proibição de acesso a recursos públicos, financiamentos, isenções fiscais, tributárias”, afirmou.

Para Vivi Reis, o seminário trouxe elementos muito importantes para discussão e também sugestões que serão incorporadas às ações do mandato. “Um bom resumo de tudo que foi debatido é que ficou ainda mais nítido que precisamos fortalecer o combate a esta política perversa onde o lucro se sobrepõe à vida. Este é um dos primeiros encontros desta construção permanente em defesa da Amazônia”, disse.